Os elevados níveis de chuva durante o primeiro trimestre deste ano deixaram marcas indeléveis nas nossas vinhas. Nunca sabemos qual é o nível ideal de chuva. Por um lado, se chover muito, as videiras têm disponivel no solo bons níveis de humidade, permitindo aguentar melhor o Verão quente e seco do Douro. Por outro lado, demasiada chuva provoca, entre outras coisas, deslizamentos de terras e consequente destruição de socalcos. Na foto podem ver que esta videira da Quinta da Trovisca continua a produzir uvas, mas este socalco tem de ser reparado.
S. João da Pesqueira tem registado temperaturas máximas superiores a 35ª todos os dias desde o início da semana. Na Quinta Vale d’Agodinho, que está ao lado do rio, há dois dias, às 19.00 o termómetro marcava 41º. As pessoas do Douro estão habituadas a estas temperaturas. E as videiras também. O problema é que as altas temperaturas, sem noites frescas, que é o caso, fazem com que a videira tenha mais dificuldades em manter um equilíbrio na maturação das uvas. Obtêm-se níveis mais baixos de acidez, reduzindo a frescura dos mostos, e posteriormente, o potencial de envelhecimento do vinho. O pintor, ou mudança da cor das uvas, começou há duas semanas nas videiras mais próximas do rio e vai agora lentamente deslocando-se para as vinhas no cimo da montanha. Nos próximos posts vou falar de maturação, rendimento, açúcar e acidez das uvas, para que possamos ter uma ideia mais clara sobre o que esperar da qualidade e quantidade da vindima de 2010.
Tem alguma visita planeada ao Douro para esta vindima? Avise, estamos à sua espera!
Oscar