Com a vindima a meio, está na altura de fazermos uma contagem de espingardas. Surpreendentemente, caiu-nos em cima um dilúvio de chuva durante quase duas semanas. As boas notícias é que dependendo de onde estamos no Douro, a precipitação varia dramaticamente, o que no caso da Quevedo se traduziu numa grande vantagem por termos as nossas vinhas na fronteira entre o Cima Corgo e o Douro Superior. E isso porquê? Porque a maior parte das nuvens que trazem chuva para o Douro vêm de Oeste para Este e quanto mais a Este uma vinha estiver menos chuva receberá.
Outro ponto curioso sobre esta vindima é que este ano as principais castas têm amadurecido a ritmos bem diferentes: enquanto que a Touriga Franca começa agora a ficar madura, a Tinta Roriz há já duas semanas que saltou das videiras para as cubas. E não só, temos visto que a Tinta Roriz mostra melhores concentração de cor, aromas, complexidade e equilíbrio quando comparada com a Touriga Nacional ou Touriga Franca. Acreditamos assim que 2014 vai ser o ano da Tinta Roriz!
Nesta altura, todas as nossas uvas brancas e uvas tintas ao nível do rio (letras A e B), foram cuidadosamente vindimadas. Mas ainda faltam um algum caminho por percorrer nas vinhas das zonas altas. E qual é o nosso plano? Sentar e relaxar! Isto porque apesar das vinhas estarem ótimas para lutas de lama, ainda não estão prontas para a vindima. Precisamos de tempo para que sequem, e para que volte a concentração no bago – nada que uns dias de sol não tragam.
No artigo anterior referi que 2014 podia ser um ano Vintage, mas já não acredito! A chuva matou à nascença uma colheita que era bem promissora, e o Baixo Corgo e o Cima Corgo não conseguem lidar com tanta chuva nesta fase.
Dito isto, podemos não ter um ano Vintage, mas não faltam aqui vinhos para saborear num ano em que o tempo foi um grande malandro!
Oscar